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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Brincos Estrelares











































"Eu, Etiqueta"
Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).
E nisto me comprazo, tiro glória
de minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam,
e cada gesto, cada olhar,
cada vinco da roupa
resumia uma estética?
Hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrina me tiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.

(Carlos Drummond de Andrade)



































terça-feira, 12 de outubro de 2010

Dia das crianças


Existe uma menininha na minha vida (além da porção criança que carrego) chamada Grabriele, também conhecida como Gabi, Bi ou Bibi; minha afilhadinha... Pensando nela e para ela, fiz esses brinquinhos de crochê a fim de presenteá-la. Não ia postá-los, era só uma brincadeira que queria fazer com ela... Mas como ficaram tão graciosos resolvi colocar no meu catálogo e lojinha. Aqui estão:
















quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Mandalas

As mandalas são símbolos ancestrais que possuem um campo energético de muita força. Por serem desenhos sagrados, as modificações energéticas e espirituais trazidas pelas mandalas são dirigidas por uma força superior ao nosso entendimento.

A palavra "mandala" vem do sânscrito, e significa literalmente "círculo". Na consciência da maioria das pessoas, as mandalas têm, efetivamente, algo do Oriente. Isso, contudo, nem sempre foi assim, nem precisava ser, pois as mandalas se encontram igualmente na raiz de todas as culturas e estão presentes em todo ser humano.
Foi sobretudo
C. G. Jung quem, nos tempos modernos, se ocupou com as mandalas e descobriu que elas surgem como imagens interiores espontâneas, particularmente em situações de profunda crise interior (ele descobriu que desenhar, pintar e sonhar com madalas é parte natural do processo de individuação do ser e expressão de todos os caminhos que conduzem ao centro). Por isso ela ressalta o fato de o estilo gótico, com suas rosáceas, ter aparecido numa época particularmente difícil da história da humanidade. Desse modo o enorme interesse pelas mandalas observado atualmente e seu uso cada vez mais frequente nos domínios da arte e da meditação são particularmente eloquentes (segundo algumas correntes terapêuticas a simples contemplação de uma mandala inspira serenidade, restabelece a ordem psíquica, estimula a criatividade e abre as portas do inconsciente, fazendo emergir símbolos, arquétipos coletivos e o ser verdadeiro em nós).
Podemos ver mandalas na arte rupestre, no símbolo chinês do Yin e Yang, nos yantras da Índia, nas mandalas e thankas tibetanas, nas rosáceas da catedral de chartres, nas danças circulares, nos rituais de cura e arte índigenas, na alquimia, na magia, nos escritos herméticos e na arte sacra dos séculos XVI, XVII e XVIII.
O corpo humano é constituído de células e estas, por sua vez de átomos. Desse modo nosso corpo é composto, em última análise, de inúmeras mandalas. Mas podemos compreendê-lo também, em sua totalidade, como uma mandala. Com os braços e as pernas esticados, ele forma uma estrela de cinco pontas, e cada estrela é uma mandala. Enquanto mandala estelar, cada homem possui, claramente reconhecível, um centro, e todos estamos constantemente à sua procura. Girar em torno de nosso próprio centro é o objetivo de toda a meditação, e dessa forma, uma mandala e toda mandala nos faz lembrar de nosso próprio centro.
Trabalhar com mandalas é ir de encontro às próprias origens e tocar no sagrado interno, uma forma carinhosa de abrir o coração para a criatividade, a intuição e o amor.
fonte:

"Mandalas - Formas que representam a harmonia do cosmos e a energia divina" de Rudiger Dahlke.


Mais alguns brincos de crochê em formas mandálicas:







terça-feira, 4 de maio de 2010

Brincos

..."Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções
de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de
si mesmo e descubra o próprio jardim.

Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua
janela.

Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de
fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu
descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante
a dizer frases sutis e palavras de galanteria."
(Carlos Drummond de Andrade)



















































modelos: Jordana Dolores e Luciane Ramos