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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Bota cano longo

Mas uma brincadeira com o crochê. Aquece, protege e cumpre a função de calçar os pés com conforto.






* fotos:
Cake-Hime
e
Júlia Santos

Inverno - botina

O frio se anuncia no sudeste do Brasil essa semana. Os ventos dessa madrugada aqui em São Paulo chegaram para trazer notícias do solstício de inverno 2011. Frente fria...
Esse calçado foi inspirado na velha botina vermelha que fiz para mim anos atrás (postei no blog uma foto dela no passado). Modelo recriado, renovado, melhorado; mais charmoso no meu ponto de vista.








sábado, 29 de janeiro de 2011

Peep Toe Encarnado

Ela merece! Mais uma cor digna postagem... Fiz duas versões do detalhe da flor para fotografar, em palha de buriti e em linha!




quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Rasteirinha


Mais um modelinho que surge a partir de um pedido de uma cliente, Mira. Adapta daqui, muda dali... Já disponivel na lojinha (sob encomenda).








terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Sandália peep toe mesclada

A imaginação é o primeiro meio de transporte do ser humano.

Aproveitei a deixa da encomenda feita por uma cliente (Fabrina) para postar novamente esse modelo de sandália. Geralmente quando faço alguma novidade todos ficam muito sugestionados pela cor que escolhi para as fotos do catálogo e evitam escolher algo diferente. Essa sandália que tanto tenho apreço ficou bem charmosa no tom mesclado laranja/marron/mostarda/verde... Linda! E como grande parte do meu trabalho é feito sob encomenda e sob medida, fica a sugestão para outras cores chegarem (desse modelo e de qualquer outro)...







sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A Moça Tecelã

Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo se sentava ao tear.

Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.

Depois, lãs mais vivas; quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.

Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que, em pontos longos, rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.

Mas, se, durante muitos dias, o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados para que o sol voltasse a acalmar a natureza.

Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava seus dias.

Nada lhe faltava. Na hora da fome, tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor-de-leite que entremeava o tapete. E, à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranqüila.

Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

Mas, tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha e, pela primeira vez, pensou como seria bom ter um marido ao lado.

Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E, aos poucos, seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponta dos sapatos, quando bateram à porta.

Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma e foi entrando na sua vida.

Naquela noite, deitada contra o ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.

E feliz foi, por algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque, descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.

— Uma casa melhor é necessária, disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor-de-tijolo, fios verdes para os batentes e pressa para a casa acontecer.

Mas, pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.

— Por que ter casa, se podemos ter palácio?, perguntou. Sem querer resposta, imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates de prata.

Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça, tecendo tetos e portas, e pátios, e escadas, e salas, e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto, sem parar, batiam os pentes, acompanhando o ritmo da lançadeira.

Afinal, o palácio ficou pronto. E, entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.

— É para que ninguém saiba do tapete, disse.

E, antes de trancar a porta a chave, advertiu:

— Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!

Sem descanso, tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos; os cofres, de moedas; as salas, de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

E, tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E, pela primeira vez, pensou como seria bom estar sozinha de novo.

Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E, descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.

Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e, jogando-a veloz de um lado para outro, começou a desfazer o seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois, desteceu os criados e o palácio. E todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.

A noite acabava quando o marido, estranhando a cama dura, acordou e, espantado, olhou em volta. Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.

Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz que a manhã repetiu na linha do horizonte.

COLASANTI, Marina. Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento. 6. ed. Rio de Janeiro: Nórdica, 1982.
extraído do site Construir Notícias: www.construirnoticias.com.br

Agradeço ao amigo Cláudio Malvado Oliveira por me apresentar esse texto.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Peep Toes

Crochê e moda vintage é quase um pleonasmo no meu ponto de vista e como uma de minhas intenções é sempre que possível recorrer ao romântico, não poderia deixar de fazer a minha versão desse modelo de calçado que tem sua origem lá pela década de 50 do século passado. Nestes três modelos me utilizei de materiais relacionados ao "rústico": saltos e botões de madeira, palmilha em couro, palmilhas forradas com tecido e com palha de buriti e linhas 100% algodão mercerizado.
A brincadeira dessa vez é com um tipo de calçado que eu particularmente gosto bastante: peep toe: do inglês “peep”- começar a aparecer, e “toe” – dedo; portanto o que singulariza este estilo é a abertura frontal na qual parte dos dedinhos do pé aparecem.